Classificação das Águas Minerais Naturais
Águas minerais naturais são as que, por qualquer especificidade físico-química, se distinguem das águas “normais” de uma dada região. Os caracteres distintivos mais frequentes são a mineralização e/ou a temperatura elevadas.Assim, na perspectiva enunciada, as águas minerais apresentarão mineralizações totais ou determinadas características específicas (pH, sulfuração, sílica, CO2, etc.) diferentes dos valores correntes ou temperaturas mais altas que a temperatura média do ar.
A nível da Hidrologia Médica, é corrente chamar-se água termal a qualquer uma ¾ ainda que fria na origem ou mesmo semelhante às águas típicas da região ¾ desde que seja utilizada em balneários termais.
O critério da composição química levou a que nos países europeus de cultura germânica a água mineral fosse conotada com elevada mineralização. Nos países latinos prevaleceram os aspectos ligados à utilização balneoterápica tendo no passado sido consideradas como minerais (ou melhor minero-medicinais) águas de baixa mineralização. Foi assim que em Portugal, graças às propriedades terapêuticas inferidas à luz dos critérios da época, foram consideradas como minerais águas semelhantes às“normais” da região.
Algumas águas minerais naturais são usadas quer em balneoterapia quer na indústria de embalamento de águas. A União Europeia regulamentou as menções a apor nos rótulos das garrafas mas não existe um critério europeu em relação às águas minerais naturais para termalismo.
3.1.1 Temperatura da água na emergência
Em relação á temperatura da água na emergência os critérios de classificação são variáveis.Para alguns autores, (e.g., Klimentov 1983) águas termais seriam as de temperatura superior à do corpo humano, isto é, 37ºCWhite (1957) designou como termais as águas cuja temperatura excedam em 5ºC a temperatura média anual do ar, opção retomada por Schoeller (1962) embora este último considere 4ºC. Na Europa (CEC 1988) foi adoptada a solução de considerar termais as águas de temperatura superior a 20ºC, retomando a sistematização do Simpósio de Águas Minerais de Praga de 1968 (Malkovsky & Kacura 1969).
Para o Norte e Centro de Portugal este critério pode ser considerado aceitável pois a temperatura anual média do ar nessas zonas é inferior a 16ºC (INM 2005), mas a sua aplicação já poderá ser questionável no Sul de Portugal.
Por essa razão adopta-se aqui a classificação do Instituto de Hidrologia de Lisboa (Herculano de Carvalho et al. 1961) para as águas minerais naturais:
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Hipotermais (se emergem a temperaturas inferiores a 25 ºC);
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Mesotermais (se emergem a temperaturas superiores a 25 ºC e iguais ou inferiores a 35 ºC);
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Termais (se emergem a temperaturas superiores a 35 ºC e iguais ou inferiores a 40 ºC);
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Hipertermais (se emergem a temperaturas superiores a 40ºC).
As águas de temperaturas inferiores a 25ªC seriam Frias.
3.1.2 Composição química
Quanto á mineralização total o Instituto de Hidrologia de Lisboa propõe a classificação seguinte:
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Águas Hipossalinas: mineralização total inferior a 200 mg/l;
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Águas fracamente mineralizadas: mineralização total entre 200 e 1000 mg/l;
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Águas Mesossalinas: mineralização total entre 1000 e 2000 mg/l;
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Águas Hipersalinas: mineralização total superior a 2000 mg/l.
Curto Simões (1993), apoiada na classificação do Instituto de Hidrologia de Lisboa propõe as classes seguintes para as águas minerais portuguesas, baseadas na composição química, a saber:
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Águas hipossalinas, cuja mineralização total é inferior a 200 mg/l. Há a diferenciar: (i) as que têm mineralização total até cerca de 50 mg/l, pH < 6, dureza < 1 e percentagem de sílica muito elevada (> 30%), (ii)daquelas cuja mineralização total é > 100 mg/l, pH > 6, dureza> 1 e cuja percentagem de sílica é muito mais baixa;
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Águas sulfúreas, as que contêm formas reduzidas de enxofre. Neste grupo podem ser diferenciadas: (i) as sulfúreas primitivas (em que ainda há a distinguir as de pH <8,35 e pH> 8,35), (ii) as que não apresentam valores característicos das sulfúreas primitivas em alguns parâmetros, e, (iii) as sulfúreas de transição. As sulfúreas primitivas têm com o iões dominantes o HC03 -e o Na , altas percentagens de sílica e flúor, são fracamente mineralizadas e têm dureza muito baixa;
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Águas gasocarbónicas, caracterizadas por terem mais de 500 mg/l de CO2livre. São hipersalinas, anião dominante HC03 -(> 90% dos mval), catião dominante o Na (raramente o Ca2 ), têm baixa percentagem de sílica (< 4%), baixa percentagem de flúor (< 1,5 %) e razão a1calinidade/Resíduo Seco muito elevada (> 16). Há a distinguir. (i) as hipotermais com pH == 6 (sódicas ou cá1cicas), (ii) das hipertermais com pH == 7 (sódicas);
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Águas bicarbonatadas, cujo ião dominante é o HC03-. São hipotermais, com alta percentagem de M1 , pH == 7, dureza total com valores elevados e percentagens de sílica e flúor muito baixas. Há a distinguir: (i) as cá1cicas, fracamente mineralizadas, (ii) das mistas (sódico-cá1cicas), mesossalinas.
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Águas cloretadas, cujo ião dominante é o cloreto. O catião dominante é o Na com percentagens de sílica e flúor muito baixas, mesotermais. Há a distinguir as hipersalinas com pH == 7 das fracamente mineralizadas de pH > 7;
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Águas sulfatadas, cujo ião dominante é o sulfato.São hipersalinas, hipotermais, catião dominante Ca2 , percentagens de sílica e flúor muito baixas e muito duras.